Com passos calmos pela calçada
Vejo a serenidade
Sua amada, nem tanto agora
Ouve o som
Uma moda de viola
Uma noite de verão
Um dia inteiro perdido
Ignoro e volto a andar
Não faz meu estilo, de fato
Sou muito comum e alheio
Olho para quem passa
Me perco em devaneio
Subestimo o valor do tato
As paredes são um pornô
Como seus artistas
Perdidos em intrigas
Somente vistos como adorno
Então me estranha a calma
A vazia lucidez
É preenchida rapidamente
Pela euforia
Começo a correria
Tropeço na guia
Já não sei o caminho
Só sigo o instinto
Que não tarda a falhar
Vejo pequena movimentação
Próximo ao ponto, a estação
Onde eu já deveria estar
Quem dera, como iria saber
Que mudaram a decoração
Mais uma vez
Gostaria de observar, mas não
Tenho algo a fazer
Ainda não penso, só corro
Seguindo o instinto que me segue
Em um ciclo mais que vicioso
Até topar as catracas
As almas já se encontram na plataforma
Chegou a hora
Passo a passo
Sem demora, vou até o vão
Me debruço sobre o aço - meu novo chão
Em único tom, fecham as portas
Selando mais um convite
Me despedi de alguns contos de réis
Olhei pro relógio, batiam as dez
Era o último trem da noite
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