sábado, 6 de fevereiro de 2016

Soneto a um amigo

Que imbecilidade tive outrora.
Acreditei em teus versos irracionais
Nos mais incrédulos desejos carnais
Que batiam a minha porta ante agora!

E decorei tais palavras sem sentido.
Sabendo que por menor que fosse a esperança
Não me seriam de valor a minha confiança
Recitar como razão e escutar como motivo.

Fiz-me inteiro novamente no ato.
Teus sonetos que embalavam das noites até bem cedo,
Muito mais escuras, atormentadas por um morcego,
Que insistia em adentrar o meu quarto!

Ora, mas que traição, homem!
Cortejar minha amada dessa maneira descarada
Com seus trechos rimados, deixando-a encantada
Não a conseguindo pelo fato da vida que não mais detêm...

Mas tal fato não lhe dá direito, que seja dito!
Todos estes versos que escreveu em dias passados,
Tratados como descartável - entre pilhas de trapos,
Por tua culpa além de decorar eu os recito!

Sim, saiba que tua vida supera o corpo que habitou!
A quimera que condenas-te voltou para casa,
O operário das ruínas caiu em desgraça,
Mas ainda ecoam as palavras que um dia ditou...

Por fim, tua existência transcende a distância dos anos,
Eu creio que seu espírito esteja exausto.
Então seja o surreal realista - Augusto!
Em um lugar que seja imortal - dos Anjos!

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